Ex-aluna de enfermagem da FHO|Uniararas compartilha experiências da profissão em Angola
Ex-aluna de enfermagem da FHO|Uniararas compartilha experiências da profissão em Angola
Segunda-Feira - 20 de junho de 2016

A ex-aluna do curso de Enfermagem da FHO|Uniararas, Graziela Pereira Conceição, compartilhou recentemente conosco experiências da sua profissão em Luanda, Angola, onde atua como enfermeira chefe de uma clínica. Entre as atribuições da sua função estão a coordenação da equipe de enfermagem, o controle de materiais e equipamentos da clínica, o controle do setor de vacinas, a triagem, a sala de observação e demais procedimentos.

A Angola é um país com apenas 40 anos de independência e por esse motivo está em crescimento acelerado. O país produz pouco, o que faz com que o custo de vida seja elevado. As roupas, calçados e eletrodomésticos vendidos são praticamente todos importados. Tirando os itens de alimentação, a maior parte dos produtos que consumimos vem de fora.

Consequentemente, isso se aplica à mão de obra. Por ter conquistado sua independência há pouco tempo, a mão de obra nacional disponível também é fraca e limitada em todas as áreas, o que demanda a importação de profissionais. Fui para Angola para acompanhar o meu marido, mas o país conta com muitos profissionais que ali chegam para trabalhar.

Na área da Enfermagem eles diferenciam a profissão em dois níveis: os profissionais técnicos e os licenciados. Os enfermeiros que completaram o ensino superior são chamados licenciados, mas o aluno que terminou o curso e ainda não concluiu a monografia pode dar aulas e trabalhar. Eles consideram os profissionais aptos para isso, diferente do Brasil, onde só temos autorização para o exercício laboral após a apresentação do Trabalho de Conclusão de Curso.

Trabalham comigo na clínica médicos cubanos, russos, ucranianos, brasileiros, portugueses e peruanos, o que permite uma rica troca de experiências. A língua nacional falada é o português, semelhante ao português de Portugal, porém o inglês é fundamental, já que nossos pacientes vêm de diferentes lugares.

Em virtude da falta de profissionais capacitados, o enfermeiro tem algumas atribuições que no Brasil são pertinentes à classe médica, como por exemplo, a sutura. Além disso, um técnico capacitado ou um enfermeiro também pode atuar como auxiliar de anestesista.

As patologias são as mesmas encontradas no Brasil, com destaque para a malária, que se assemelha a um resfriado no país e a incidência de anemia falciforme, devido ao perfil da população.

O calendário de vacinas do país é semelhante ao nosso, mas nem todas as vacinas são gratuitas. A vacina contra meningite C, por exemplo, é paga, com um custo de até 200 dólares (as moedas utilizadas no país são o kwanza e o dólar). Gratuitamente, temos as vacinas contra poliomielite (ainda oral), rotavírus, tétano, sarampo, febre amarela, vacina pneumocócica, pentavalente e vitamina A (feita aos 06 e 09 meses). Outra diferença é que aqui no país não é feita vacina contra hepatite B ao nascimento, como no nosso protocolo, apenas a crianças de mães portadoras do vírus ou suspeitas.

O sistema de saúde privado mantém preços altos e o sistema de saúde público é muito precário. Eu trabalho na rede privada, mas o que vejo do sistema público de lá, por meio de relatos de pacientes, da mídia e de profissionais que atuam na rede são problemas como a falta de leitos, podendo três puérperas dividirem uma cama na maternidade; a falta de material, sendo muitas vezes necessário a família levar luvas e anestesia para o familiar internado; erros médicos grosseiros e a falta de humanização geral. Assim, o paciente que busca um bom atendimento e uma boa assistência, precisa pagar.

Para terem um exemplo, atualmente estou no Brasil, onde tive meu bebê, porque sou brasileira e tenho família aqui. Se fosse ter meu bebê em Angola, iria ser pelo sistema particular, onde um parto normal custa cerca de 5 mil dólares e uma cesárea acima de 8 mil.

Apesar de tudo isso, amo trabalhar lá. No começo senti resistência da equipe por ser mais uma estrangeira "tomando" o lugar deles, mas com o tempo fui conquistando meus colegas e o meu espaço. Hoje tenho muita autonomia para realizar treinamentos, implementar protocolos e orientar em relação aos equipamentos que serão comprados e recebo muito carinho dos pacientes, que ficam satisfeitos com meu trabalho e amam os brasileiros.

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